Natureza e mar · 7 min de leitura · 29.10.2026

As ilhas do Rio de barco

Um barco com comandante saindo da Marina da Glória chega às Cagarras, em frente a Ipanema, numa manhã, e as Ilhas Tijucas ficam diante de São Conrado, no trecho de mar em frente à casa. Este guia mostra o que se vê no caminho, onde dá para nadar, a nova trilha da Ilha Comprida e como montar o dia.

Foto: Diego Baravelli · CC BY-SA 4.0

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Um dia no mar

Do mar, o Rio é outra cidade. Passado o Pão de Açúcar, a orla se alinha inteira: Copacabana, Ipanema e Leblon, com o Dois Irmãos e a Pedra da Gávea logo atrás. Há dois grupos de ilhas ao largo. As Cagarras ficam a cerca de 5 km de Ipanema e são um monumento natural protegido, e as Tijucas ficam a poucos quilômetros de São Conrado e da Barra.

Pelo concierge da Art de Vivre, os hóspedes podem combinar um dia de barco com comandante saindo da Marina da Glória, com um motorista que fala inglês levando o grupo até a marina e buscando no fim do passeio. Para oito a doze pessoas, um barco só de vocês é o jeito mais simples de conhecer as ilhas: vocês decidem o ritmo, escolhem onde parar para nadar e fazem o dia do tamanho que o grupo quiser.

O que fazer no Rio traz a versão curta de um dia de barco. Este guia conta o que são as ilhas, quem vive nelas, onde dá para desembarcar e como planejar o dia de acordo com o mar.

Saindo da Marina da Glória

A Marina da Glória fica dentro do Parque do Flamengo, na margem interna da Baía de Guanabara, e foi a sede da vela nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. Da casa, são de meia hora a 45 minutos de carro, dependendo do trânsito.

O caminho mais comum até as ilhas passa pela Urca e pelo bondinho do Pão de Açúcar e segue pelo Leme, por Copacabana e pelas pedras do Arpoador antes de o barco virar para o alto-mar. Num barco tranquilo, a ida até as Cagarras leva cerca de uma hora e meia, e uma lancha mais rápida faz em menos tempo quando o mar está calmo.

Na volta, alguns barcos fazem a curva pela Baía de Guanabara, com Niterói e o Museu de Arte Contemporânea do outro lado da água. Combine o desenho do dia com o comandante antes de soltar as amarras, para que o tempo parado fique onde o grupo prefere.

Vista aérea das Ilhas Cagarras: um domo de granito e ilhas baixas com mata, em mar aberto
As Ilhas Cagarras, em frente a Ipanema, vistas do alto. Foto: Diego Baravelli · CC BY-SA 4.0

As Ilhas Cagarras

O Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras foi criado pela Lei federal nº 12.229, de 13 de abril de 2010, e é administrado pelo ICMBio, o órgão federal das unidades de conservação. São cerca de 91 hectares: as ilhas e uma faixa de mar de dez metros em volta delas.

A lei nomeia seis porções de terra. Cagarra, Palmas e Comprida ficam juntas com a ilhota Filhote da Cagarra, e a Ilha Redonda e a sua ilhota, a Filhote da Redonda, ficam uns 4 km mais para o alto-mar. As ilhas são íngremes e rochosas, com remanescentes de Mata Atlântica insular, cactos e bromélias no alto. Os autores divergem sobre o nome, e a explicação mais citada está nas aves marinhas, cujas fezes deixam a pedra manchada de branco.

Em abril de 2021, a Mission Blue, aliança de conservação marinha liderada por Sylvia Earle, declarou as ilhas e as águas em volta um Hope Spot, ou ponto de esperança, na época o segundo do Brasil, depois de Abrolhos. A área reconhecida chega às praias do Leblon até a Praia Vermelha.

Aves, peixes e baleias

As aves são a primeira coisa que chama a atenção. Cerca de 5 mil fragatas usam as ilhas, uma das maiores colônias reprodutivas do Atlântico Sul, e dá para vê-las planando sobre os paredões com as asas longas e anguladas. Os atobás-marrons também fazem ninho no arquipélago.

Debaixo d'água, pesquisadores já catalogaram cerca de 220 espécies na unidade e em volta dela, entre elas o cavalo-marinho, e garoupas jovens crescem entre as pedras. Tartarugas e golfinhos aparecem com frequência nas águas próximas.

As baleias-jubarte passam por esta costa na migração, principalmente entre junho e agosto, e pesquisadores monitoram seis espécies de baleias e golfinhos aqui, entre elas o golfinho-flíper, a baleia-de-bryde e a orca. Um passeio de inverno pode render um borrifo no horizonte.

Uma onda grande quebrando diante da Ilha Alfavaca, ilha rochosa e verde
Mar de ressaca diante da Ilha Alfavaca, uma das Ilhas Tijucas. Foto: Eduardo Dias Campos · CC BY-SA 4.0

Nadar e a trilha da Ilha Comprida

A maioria das pessoas conhece as ilhas pela água. O barco para por perto, todo mundo pula, e o mergulho em volta das pedras é o ponto alto da maioria dos passeios. As regras do monumento mantêm as ilhas como estão: pesca com rede ou armadilha, acampamento sem autorização, competições esportivas e qualquer atividade que ponha o ecossistema em risco não são permitidos. Para o mergulho autônomo, o ICMBio publica a lista de operadoras credenciadas.

Desde 28 de junho de 2026 também dá para caminhar numa das ilhas. A Trilha da Comprida, na Ilha Comprida, tem três percursos, de cerca de 400 metros, 800 metros e 1,2 km, aberta todos os dias das 7h às 17h na inauguração, sem pernoite; o site do ICMBio traz as regras atuais. Não há píer: você nada os últimos 20 a 30 metros do barco até as pedras, de colete salva-vidas e com cordas para ajudar na subida. Lá de cima se vê Ipanema, Copacabana, o Arpoador, o Dois Irmãos e o Pão de Açúcar, e placas ao longo do caminho explicam as rochas, as plantas e os bichos da ilha.

O ICMBio classifica a trilha como de dificuldade moderada a alta, por pedras molhadas e irregulares e pouca sombra, e não recomenda para menores de 12 anos nem para pessoas com mobilidade reduzida. A orientação é ir com um condutor credenciado, que leva grupos de até cinco pessoas. A trilha também é o primeiro trecho no mar da Transcarioca, a trilha de 180 km que atravessa a cidade da Barra de Guaratiba, perto da Pedra do Telégrafo, até o Morro da Urca.

As Ilhas Tijucas, em frente a São Conrado

As Tijucas ficam mais perto de casa. A Ilha do Meio, a Alfavaca e a Pontuda estão a uns 2 a 3 km da costa entre São Conrado e a Barra, bem em frente ao trecho de orla da casa, e em dia limpo fazem parte da paisagem de quem está na Praia de São Conrado. A Pontuda tem um pequeno farol.

São ilhas pequenas e rochosas, com vegetação rasteira no alto, onde garças fazem ninho. Mergulhadores vão atrás da vida marinha em volta das pedras, principalmente na Pontuda. Praticantes de stand-up paddle fazem a travessia de uns 2 km a partir da Barra quando o mar está liso, em 45 minutos a uma hora, e a água em volta das ilhas tem cerca de 8 metros de profundidade, com boa visibilidade nos dias calmos. Barcos e pranchas costumam sair do Canal da Joatinga, no fim da praia da Barra.

Há pedras rasas em volta das ilhotas, então o comandante fica em águas mais fundas, e é passeio para quem conhece a área. Um dia de barco mais longo pode seguir para oeste a partir das Cagarras, uns 8 a 10 km, passando pelo Leblon e pelo Vidigal até estas ilhas e os costões do Joá e da Joatinga, e assim vocês veem do mar a própria praia e a encosta acima dela.

Mar, estação e o que levar

A água é mais quente de janeiro a março, entre uns 25 e 27°C, e mais fria de julho a setembro, perto de 22°C. O verão é a época dos mergulhos longos, e o inverno traz as baleias; quando ir ao Rio fala das estações em terra.

O mar aberto depois de Copacabana pode balançar, mesmo num dia bonito. Se alguém do grupo costuma enjoar, vale tomar um remédio antes de sair, e o comandante pode encurtar o roteiro ou ficar nas águas mais calmas da baía se a ondulação estiver forte. O tempo pode adiar um dia de barco, então deixe uma ou duas datas possíveis na manga.

Leve roupa de banho, toalha, protetor solar, chapéu e óculos escuros, um agasalho leve para a volta e uma bolsa estanque para os celulares. Se a ideia é desembarcar na Ilha Comprida, inclua sapatilhas com boa aderência e deixe no barco o que não pode molhar.

Organizando o dia a partir da casa

Um bom dia de barco começa cedo. O motorista leva o grupo à Marina da Glória depois do café da manhã, vocês passam pelo Pão de Açúcar no meio da manhã e o mergulho nas Cagarras fica para perto do meio-dia. Avise o concierge com antecedência quem quer nadar, quem quer fazer a trilha da Comprida e se há crianças pequenas a bordo, para o comandante planejar as paradas.

Meio dia de passeio cobre as Cagarras e a orla. Um dia inteiro inclui as Tijucas e o trecho em frente a São Conrado, ou uma volta mais lenta pela baía. De um jeito ou de outro, vocês voltam para a casa a tempo da piscina e do pôr do sol. Se parte do grupo preferir ficar em terra, divida o dia: o barco para quem quer nadar, a piscina e um almoço longo na casa para os demais.

Perguntas

Como chegar às Ilhas Cagarras?

Só de barco. Barcos particulares e passeios em grupo saem da Marina da Glória, e a ida, passando pelo Pão de Açúcar e por Copacabana, leva cerca de uma hora e meia num barco tranquilo. As ilhas ficam a uns 5 km de Ipanema.

Pode desembarcar nas Ilhas Cagarras?

Sim, na Ilha Comprida, onde uma trilha foi aberta em junho de 2026. Não há píer, então é preciso nadar os últimos 20 a 30 metros até as pedras; o ICMBio recomenda ir com condutor credenciado e não indica a trilha para menores de 12 anos.

Pode nadar nas Ilhas Cagarras?

Sim. Os barcos param perto das ilhas e as pessoas nadam e fazem snorkel a partir deles. Pesca com rede, acampamento sem autorização e qualquer atividade que ponha o ecossistema em risco não são permitidos no monumento.

Quais aves vivem nas Ilhas Cagarras?

Cerca de 5 mil fragatas, numa das maiores colônias reprodutivas do Atlântico Sul, e atobás-marrons, que também fazem ninho no arquipélago.

Como se chamam as ilhas em frente a São Conrado?

São as Ilhas Tijucas: a Ilha do Meio, a Alfavaca e a Pontuda, a uns 2 a 3 km da costa entre São Conrado e a Barra. A Pontuda tem um pequeno farol.

Um dia de barco com comandante saindo da Marina da Glória é um dos extras que o concierge da Art de Vivre organiza para os hóspedes da casa, junto com o motorista até o cais; reserve a casa direto com a Art de Vivre e planeje o dia antes de chegar.

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Fontes

Os fatos desta página foram conferidos nestas fontes em outubro de 2026. Horários e preços mudam: confirme antes de ir.

  1. MONA do Arquipélago das Ilhas Cagarras (ICMBio)
  2. Lei nº 12.229, de 13 de abril de 2010 (Câmara dos Deputados)
  3. Rio inaugura primeira trilha insular em unidade de conservação nas Ilhas Cagarras (Folha de Pernambuco, 2026)
  4. Nova trilha no Rio nas Ilhas Cagarras (Melhores Destinos, 2026)
  5. Ilhas Cagarras, no Rio, entram para lista de locais de esperança (National Geographic Brasil, 2021)
  6. Ilhas Cagarras (Wikipedia)
  7. Ilhas Cagarras (Wikipédia)
  8. Ilhas Tijucas (Wikipédia)
  9. Ilhas Tijucas (Rio de Janeiro), sea-seek
  10. Travessia SUP Ilhas Tijucas (Mala de Aventuras)
  11. Marina da Glória (Wikipedia)
  12. Passeio às Ilhas Cagarras (Viciada em Viajar)
  13. Best time to swim in Rio de Janeiro: sea temperature by month

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Créditos das fotos: As Ilhas Tijucas, no litoral do Rio, vistas do alto., foto Diego Baravelli (CC BY-SA 4.0); As Ilhas Cagarras, em frente a Ipanema, vistas do alto., foto Diego Baravelli (CC BY-SA 4.0); Mar de ressaca diante da Ilha Alfavaca, uma das Ilhas Tijucas., foto Eduardo Dias Campos (CC BY-SA 4.0) Créditos das fotos →