A situação honesta
São Conrado quase não tem eixo gastronômico. Não existe aqui equivalente à Garcia d'Ávila de Ipanema ou à Dias Ferreira do Leblon — o bairro é residencial, o terreno plano é sobretudo campo de golfe, e o tecido comercial é escasso. É o preço do silêncio, e é a única coisa que os visitantes subestimam com regularidade.
O que São Conrado tem são três camadas de opção, cada uma a um trajeto de carro da outra: os restaurantes de hotel na Avenida Niemeyer, a cinco minutos; o Baixo Gávea por cima do morro, a uns dez; e Leblon e Ipanema pela estrada da encosta, a uns quinze. Na prática, uma semana aqui significa duas noites fora e o resto em casa com cozinha, o que é uma proporção melhor do que parece.
Cena de restaurante muda mais rápido do que qualquer guia, e a do Rio muda rápido. Trate os nomes abaixo como orientação — o concierge reserva as mesas atuais e vai dizer o que fechou, trocou de mão ou deixou de valer.
No bairro: Avenida Niemeyer
O melhor de comer dentro de São Conrado está nos hotéis da estrada de encosta, e é melhor do que parece por causa de onde eles ficam.
O Hotel Nacional, na Avenida Niemeyer 769, é a torre de Oscar Niemeyer descrita na história do bairro — inaugurada em 1972, fechada por mais de vinte anos, reaberta em dezembro de 2016. Seu restaurante, o Masi, fica no alto da torre, no trigésimo andar, o que entrega a costa inteira através do vidro. Ir jantar é o jeito mais simples de entrar num pedaço tombado do modernismo brasileiro, e os jardins de Burle Marx ficam no caminho.
Mais a leste na mesma via, na Avenida Niemeyer 121, no Vidigal, o Sheraton Grand Rio tem vários restaurantes: o L'Etoile, francês com vista panorâmica de mar, o mais informal Casarão, e o Mirador, que serve feijoada todo sábado. Feijoada de sábado no Rio é instituição de verdade e é almoço longo, não refeição — se a estadia inclui um sábado, é um bom uso dele.
Na praia há quiosques, não restaurantes: água de coco, cerveja, coisas na chapa, os vendedores de sempre. Bom para uma tarde de praia, não para uma noite. O Fashion Mall ao lado tem praça de alimentação e cinema e é conveniente em vez de destino; foi o endereço de compras de luxo do Rio nos anos 1980 e minguou muito, embora novos lojistas continuem chegando.
Morro acima: Baixo Gávea
Suba pelo Túnel Zuzu Angel e você está na Gávea em uns dez minutos, e é ali que vive o comer informal da região. A esquina conhecida como Baixo Gávea, em torno da Praça Santos Dumont, é lugar de noite carioca de verdade — movimentado, barulhento, sem pretensão, estudantes e famílias e gente que frequenta há décadas.
O Braseiro da Gávea, na Praça Santos Dumont 116, é o ponto fixo. Salão simples, comida honesta, e a picanha ao braseiro como o prato que todo mundo pede — servida com arroz, farofa e o resto, em quantidade pensada para dividir. Vai até tarde: mais ou menos do meio-dia à uma da manhã, e às três nos fins de semana. Não é noite de alta gastronomia e não tenta ser; é o que se faz quando um grupo quer jantar sem cerimônia.
A Gávea em geral tem um punhado de restaurantes de bairro exatamente desse tipo, além do Jockey e do Jardim Botânico perto para o dia. Se você quer uma noite que pareça Rio e não hotel, é o lugar mais próximo de conseguir isso.
Quinze minutos a leste: Leblon e Ipanema
É onde estão os restaurantes sérios do Rio, e o trajeto pela Avenida Niemeyer para chegar lá é um dos melhores deslocamentos do mundo — encosta de um lado, oceano abaixo, o Leblon aparecendo na curva. Quinze minutos sem trânsito, mais no rush, e um motorista torna tudo simples porque estacionar no Leblon numa sexta é uma pequena provação em si.
O Leblon é o mais adulto dos dois: cozinha brasileira contemporânea, bons frutos do mar, cartas de vinho sérias, e uma concentração das cozinhas mais bem avaliadas da cidade em poucas quadras. Ipanema é mais amplo e mais social, do restaurante histórico ao que abriu no mês passado, e é para onde se vai se o grupo quer comer e depois ficar na rua em vez de comer e ir embora.
Duas notas práticas para um grupo de dez. Reserve com antecedência — dez pessoas não entram sem reserva em nenhum lugar bom da Zona Sul, e na sexta ou no sábado é uma semana de antecedência, mais na alta temporada. E peça uma mesa só, não duas; restaurantes às vezes espalham um grupo grande pelo salão sem avisar, o que desmancha silenciosamente o sentido de todos saírem juntos.
Como o Rio come de fato
Jantar é tarde. Oito é cedo, nove é normal, e um restaurante que parece vazio às sete e meia estará cheio às dez. O almoço é a refeição maior para muitos cariocas, e almoço longo é instituição em vez de luxo.
Costuma-se acrescentar cerca de dez por cento de serviço à conta. É praxe e não obrigação legal, e o padrão é pagar. Cartão é aceito em quase tudo; leve algum dinheiro para os quiosques da praia.
Feijoada é coisa de sábado, tradicionalmente, e é refeição pesada de meio-dia e não jantar — programe a tarde de acordo. Churrasco, o outro clássico, se encara com fome e devagar; no rodízio a carne continua chegando até você virar a fichinha.
As casas de suco são um prazer real do Rio e estão em todo lugar, inclusive no Leblon e em Ipanema. Peça o que não existe na sua cidade — açaí feito direito, graviola, cajá, acerola — em vez de suco de laranja.
E a opção que a maioria dos grupos realmente usa
Com cozinha na casa, a conta muda. O café acontece no terraço sem ninguém organizar, o almoço na piscina é questão de pedir, e o jantar é na mesa comprida com a costa escurecendo à frente. Para um grupo de dez, isso elimina as duas partes mais difíceis de comer fora no Rio — a reserva e a volta morro acima depois.
A cozinheira faz a compra da casa, então envie preferências e restrições na reserva e não na chegada: o que as crianças comem, o que ninguém bebe, alergias como coisa distinta de desgosto. Peixe e frutos do mar são a força óbvia aqui, e quem conhece o mercado local resolve melhor com o que entrou de manhã do que com um menu escrito antes.
O padrão que funciona é simples. Jantar em casa na maioria das noites, sair duas vezes — um almoço longo, um jantar no Leblon — e encaixar uma feijoada de sábado no meio. Jantar na casa descreve como uma noite aqui costuma correr, e o concierge reserva as noites em que você quer sair.
Diga as noites em que quer sair e as noites em que prefere não se mover, e a cozinha e o concierge montam a semana em volta disso.


