Os dois picos do ano carioca
O Rio tem duas datas que superam todas as outras. O Réveillon, na noite de 31 de dezembro, coloca uma multidão enorme na praia de Copacabana para os fogos sobre a água. O Carnaval, em fevereiro ou começo de março, toma a cidade inteira por quase uma semana.
Os dois são realmente extraordinários e os dois dão trabalho. Envolvem multidões contadas em milhões, transporte que deixa de se comportar normalmente, hospedagem esgotada meses antes, e exigência de mínimo de noites em quase toda casa boa da cidade. Quem chega sem plano passa a viagem na fila.
O argumento a favor de uma casa na encosta em qualquer um dos dois é simples: você está dentro do evento quando quer estar e completamente fora dele vinte minutos depois. Num hotel em Copacabana no Réveillon você está dentro da multidão queira ou não, inclusive às quatro da manhã, quando preferia estar dormindo.
Réveillon: 31 de dezembro
O evento principal é em Copacabana. Uma multidão imensa se junta na areia ao longo da noite, há música em palcos pela orla, e à meia-noite os fogos são disparados sobre a água — de balsas no mar, então o espetáculo corre por toda a extensão da praia em vez de sair de um ponto. É uma das maiores reuniões de Ano Novo do planeta.
Duas tradições importam e vale entrar nas duas. As pessoas se vestem de branco, o que é quase universal e é impressionante em massa, então leve algo branco para a noite. E ao longo da noite se fazem oferendas a Iemanjá — flores dispostas na areia ou lançadas ao mar, numa tradição de raiz afro-brasileira. Observe com respeito; é prática religiosa e não espetáculo.
A logística é implacável. As vias em torno de Copacabana fecham, o metrô opera em esquema especial e vai cheio, e conseguir carro perto da praia às onze da noite não é realista. O caminho viável é ser deixado a uma boa caminhada de distância e combinar ponto e hora de encontro bem fora da área fechada, ou aceitar que vai andar bastante. Leve quase nada: sem joia, sem relógio, algum dinheiro, e um celular que você aceita que pode molhar.
A alternativa que muitos moradores escolhem é assistir de um lugar mais alto e mais calmo. Da encosta de São Conrado você não vê as balsas de Copacabana, mas o céu ao longo da costa fica movimentado de queimas e a cidade é audível por horas. Um jantar no terraço, o grupo de branco, e um carro para Copacabana às onze para quem quer a multidão é uma noite melhor desenhada do que arrastar todo mundo para lá e de volta.
Mais uma nota: a praia de São Conrado é tranquila no dia 31 em comparação com Copacabana ou Ipanema, o que para famílias com crianças pequenas é argumento e não defeito.
Carnaval: as datas mudam
O Carnaval é definido pelo calendário da Igreja, então muda todo ano com a Páscoa, caindo em fevereiro ou início de março. Em 2027 vai de sexta, 5, a quarta, 10 de fevereiro.
O centro é o desfile do Grupo Especial no Sambódromo — a Marquês de Sapucaí — onde as grandes escolas de samba competem. Em 2027 esses desfiles caem no domingo, na segunda e na terça, 7, 8 e 9 de fevereiro, com quatro escolas por noite. As campeãs desfilam outra vez no fim de semana seguinte, no desfile das campeãs, que é uma opção genuinamente boa: as mesmas escolas, as mesmas fantasias e alegorias, uma fração da pressão sobre ingressos e sobre a cidade.
Uma noite de Sambódromo é longa. Os desfiles começam à noite e seguem até a manhã seguinte, uma escola após a outra, cada uma com cerca de uma hora na avenida. Não é preciso ficar até o fim — muitos visitantes assistem a três ou quatro escolas e vão embora. Os setores variam de arquibancada a frisas e camarotes; compre por vendedor confiável e não na rua, e compre cedo, porque os bons setores vão meses antes.
Também se pode desfilar em vez de assistir. A maioria das escolas vende fantasias a visitantes que querem entrar no desfile, e é mais acessível do que se imagina — você compra a fantasia, chega na concentração, e desfila com a sua ala. É a melhor experiência de Carnaval disponível a um visitante, e precisa ser arranjada com boa antecedência.
Os blocos, que são o Carnaval de fato
O Sambódromo é o espetáculo; os blocos são a festa. São bandas de rua com públicos de algumas centenas a centenas de milhares, e atravessam bairros pela cidade da manhã até a noite, por dias. Ipanema, Leblon, Botafogo, o centro e Santa Teresa têm os seus, e a programação de cada ano sai com antecedência.
A etiqueta é simples. Fantasie-se, ao menos um pouco — uma fantasia, ou algo absurdo. Leve quase nada. Use sapato que você não se importe de destruir. Beba água sem parar, porque fevereiro no Rio é quente e um bloco são horas dançando no sol. Vá com o grupo e combine ponto de encontro antes, porque sinal de celular colapsa numa multidão desse tamanho.
Escolha os blocos por tamanho e por hora. Os gigantes são espetáculo e aperto; os menores de bairro têm companhia melhor e são mais fáceis com criança ou com quem não quer ser prensado. Bloco de manhã é bem mais suave do que bloco de noite.
De São Conrado você está a quinze minutos dos blocos de Ipanema e do Leblon, perto o bastante para ir e — decisivo — perto o bastante para sair. Poder sair de um bloco e estar numa piscina silenciosa meia hora depois é um luxo que quem está no hotel ali embaixo não tem.
Com quanta antecedência, e o que esperar
Reserve hospedagem para qualquer dos dois com seis a doze meses de antecedência. Casas boas no Rio já não existem para o Réveillon a partir do meio do ano, e para o Carnaval pouco depois. Espere mínimo de noites — um número fixo de noites nas datas de pico é praxe em qualquer casa desse tipo, e não se negocia em cima da hora.
Reserve também as coisas de dentro da viagem cedo: setor no Sambódromo, fantasia se quiser desfilar, dias de barco, mesas de restaurante. Em semana de pico, mesa para dez numa sexta é uma semana de antecedência no mínimo, e os bons lugares vão mais longe que isso.
Espere calor. Os dois eventos caem no verão do Rio, o que significa altos vinte e poucos a trinta e muitos graus, umidade alta, e tempestade de fim de tarde que chega rápido e passa rápido. Programe manhãs e noites, e use o meio do dia para a piscina. Quando visitar o Rio tem o detalhe sazonal.
Espere a cidade mais cheia e mais solta do que o normal. Coisas comuns — um táxi, um supermercado, um jantar tranquilo — levam mais tempo na semana de Carnaval, e alguns estabelecimentos simplesmente fecham. Coloque folga em todo plano e não marque nada importante para a terça.
E preveja recuperação. Os dois eventos são fisicamente exigentes, e os grupos que mais aproveitam tratam disso como duas ou três noites grandes dentro de uma estadia mais longa e mais calma, e não como uma semana inteira a todo vapor.
Por que a casa melhora os dois
O padrão que funciona é o mesmo para os dois eventos. Você passa os dias na casa — piscina, terraço, café que ninguém precisou pegar fila para tomar — e vai à cidade nas noites que realmente quer. Um motorista leva e, mais importante, busca, então ninguém está negociando carona às três da manhã em meio a um milhão de pessoas.
A cozinha importa mais nessas duas semanas do que em qualquer outra época, porque comer fora está no seu pior exatamente quando a cidade está no seu mais cheio. Jantar na casa antes de uma noite de Sambódromo, e algo esperando na volta, é a diferença entre uma boa semana e uma semana exaustiva. Jantar na casa dá a forma disso.
E a casa permite que o grupo se divida. No Carnaval, parte das pessoas quer o bloco das oito da manhã e parte quer a piscina, e uma casa acomoda os dois sem ninguém precisar negociar. Isso é bem mais difícil de cinco quartos de hotel.
Se estiver considerando qualquer das duas datas, pergunte cedo — são os dois períodos que fecham com mais antecedência, e a resposta para uma semana específica é sim ou já foi.
Réveillon e Carnaval são as duas semanas que vão primeiro. Pergunte agora pelas datas que tem em mente e dizemos com clareza se estão abertas.


