Natureza e mar · 6 min de leitura · 29.10.2026

Pedra do Telégrafo

Acima do vilarejo de pescadores de Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, uma trilha curta leva à pedra da famosa foto pendurada no penhasco. Este guia mostra a caminhada, como a foto funciona, quando ir, as praias selvagens ao longo da trilha e o sítio de Burle Marx ali perto.

Foto: PauloRicFerr · CC BY-SA 4.0

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A pedra acima de Barra de Guaratiba

Barra de Guaratiba é um vilarejo de pescadores na Zona Oeste do Rio, logo depois de Grumari. A praia faz limite com a Restinga da Marambaia, a longa faixa de areia que segue para oeste. Acima do vilarejo, a Pedra do Telégrafo fica a cerca de 350 metros do nível do mar, e uma foto tirada lá correu as redes sociais: alguém pendurado pelas mãos numa pedra, aparentemente sobre um abismo que despenca até o oceano.

A subida tem cerca de 2 km e é gratuita, e a vista lá de cima pega a costa dos dois lados. De um lado se vê Grumari e a região da Barra da Tijuca, do outro a Restinga da Marambaia e a Baía de Sepetiba, e em dia limpo a silhueta da Pedra da Gávea, a montanha atrás da casa, aparece bem longe, a leste.

Da casa são cerca de uma hora de carro, mais num fim de semana de verão. Reserve de duas a três horas para subir, fazer a foto e descer, mais se houver fila. É uma manhã inteira, que combina com uma tarde na Prainha e em Grumari na volta.

Como funciona a foto

A foto famosa é uma ilusão de ótica. Embaixo da pedra há um platô onde dá para ficar de pé e, com o ângulo certo da câmera, o platô some e a queda parece vertical.

As pessoas fazem fila e esperam a vez. No ponto onde todo mundo posa não há nenhuma proteção, então vá com calma, mantenha as crianças por perto e só se pendure quem estiver firme. A vista lá de cima já vale a caminhada, então ninguém do grupo precisa se pendurar em nada para aproveitar.

A longa faixa de areia da Restinga da Marambaia, vista entre árvores de uma trilha no morro
A Restinga da Marambaia vista da trilha da Pedra do Telégrafo. Foto: Ana Carolina do Nascimento Guimarães · CC BY-SA 3.0

A trilha

A caminhada começa no vilarejo e sobe pelas ruas acima da praia antes de a trilha entrar na mata. O caminho tradicional sai da Praia Grande, pelo Caminho dos Pescadores, então peça ao motorista para deixar o grupo perto dali. A Transcarioca, trilha de longo curso, parte da frente da praia do vilarejo, e as marcas dela, pegadas pretas sobre base amarela, levam até a bifurcação em que um ramal sobe à pedra, uns 700 metros adiante.

São cerca de 2 km em cada sentido. A maioria chega à pedra em 40 minutos a uma hora, e num ritmo tranquilo pode levar uma hora e meia. A trilha é considerada de nível moderado, com alguns trechos íngremes e um pouco de sombra pelo caminho, e não é preciso usar as mãos.

Não há portaria nem ingresso: o Inea, instituto estadual do ambiente que administra o parque, descreve o local como público e gratuito. Vá de dia e escolha um dia seco, porque o caminho fica escorregadio depois da chuva. As regras do parque podem mudar, então confira o site do Inea antes de ir.

Leve bastante água. Costuma haver vendedores de bebida na trilha, mas não há sombra onde a fila se forma, lá em cima, então leve a sua.

Os morros em volta

A pedra fica dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, administrado pelo Inea, o instituto estadual do ambiente. O parque foi criado por lei estadual em 1974 e cobre cerca de 12.400 hectares do maciço da Pedra Branca.

A Transcarioca, trilha de longo curso do Rio com cerca de 180 km, começa na praia de Barra de Guaratiba. O primeiro trecho, de 7 km entre o vilarejo e Grumari, passa pelo desvio da Pedra do Telégrafo e por praias selvagens como a do Meio e a Funda. As notas da própria trilha classificam o trecho como moderado, com muita exposição ao sol, e calculam umas quatro horas para fazê-lo inteiro.

A Restinga da Marambaia, a faixa de areia que se vê lá de cima esticando para oeste, está sob responsabilidade da Marinha do Brasil. Manguezais cercam o vilarejo.

Quando ir

Em fins de semana de sol e feriados, a espera pela foto pode passar de uma hora, e os relatos dos dias mais cheios falam em filas maiores. Um dia útil é a escolha mais fácil.

Comece a trilha até as oito no máximo, ou ao nascer do sol se o grupo topar. O ar está mais fresco cedo, e a área onde a fila se forma, lá em cima, não tem sombra.

As praias selvagens

Nesse trecho do litoral, entre Barra de Guaratiba e Grumari, ficam as Praias Selvagens: Perigoso, Meio, Funda e Inferno. Várias só se alcançam a pé ou de barco, e lá quase não há o que comprar. As notas da trilha também avisam que as pequenas fontes perto das praias têm água de qualidade duvidosa e secam no inverno.

Na rota da Transcarioca, o mirante da Pedra da Tartaruga vem primeiro, com uma vista ampla das praias, e a Praia do Meio é a primeira praia depois dele. Quem já fez o trajeto fala em cerca de uma hora e meia a pé da pedra até o Meio. A do Perigoso é a mais badalada das praias. Depois da Praia Funda, uma bifurcação na trilha da mata oferece um atalho de volta a Barra de Guaratiba ou o caminho para Grumari.

Se for incluir uma praia, leve roupa de banho, protetor, comida e bastante água, e conte com uma hora e meia ou mais para voltar ao vilarejo. Com crianças ou um grupo variado, é mais fácil ver as praias selvagens lá de cima e nadar em Grumari depois.

Sítio Roberto Burle Marx

A uns vinte minutos de carro do vilarejo fica o Sítio Roberto Burle Marx, a casa e o jardim de trabalho do paisagista, hoje administrado pelo IPHAN. Ele comprou o antigo Sítio Santo Antônio da Bica em 1949, reuniu ali mais de 3.500 espécies de plantas, doou o sítio ao governo federal em 1985 e continuou trabalhando lá até morrer, em 1994. Uma pequena capela no terreno é de 1690. Em 2021, a UNESCO inscreveu o Sítio na Lista do Patrimônio Mundial.

As visitas são conduzidas por educadores do Sítio, passam pela casa, pelo jardim e pelos espaços de trabalho de Burle Marx, duram cerca de uma hora e meia e precisam ser agendadas com antecedência pelo site do Sítio, então planeje meia diária só para ele. Para conhecer melhor a história de Burle Marx e dos seus jardins, leia Roberto Burle Marx no Joá Rio.

Almoço no vilarejo

A praia de Barra de Guaratiba tem água calma e é muito usada para nadar e jogar vôlei e frescobol, principalmente em fins de semana de sol. Os barcos de pesca saem do vilarejo, e os bares e restaurantes por ali são conhecidos pelos frutos do mar. Depois da trilha, um almoço sem pressa fecha bem a manhã.

Na estrada que volta pelo morro em direção a Grumari, o Point de Grumari, na Estrada de Grumari, 2710, serve frutos do mar desde 1992, com vista para a Restinga da Marambaia. O site informa funcionamento das 11h às 18h nos dias úteis e até as 19h nos fins de semana e feriados, com estacionamento gratuito e reserva pelo WhatsApp para grupos a partir de seis pessoas. O cardápio tem versão em inglês, e a casa aceita cartão, Pix e dinheiro. Confira o horário antes de ir.

Saindo da casa

Planeje sair cedo: o motorista deixa o grupo em Barra de Guaratiba logo depois das oito, espera enquanto vocês caminham e traz todo mundo de volta até o meio da tarde. Um guia local facilita a manhã, achando o caminho para sair do vilarejo e marcando um ritmo confortável, então pergunte ao concierge se dá para organizar um.

Use tênis com boa aderência, leve chapéu, protetor e água, e leve só o celular e um pouco de dinheiro. Leve também roupa de banho, para o grupo se refrescar na praia calma de Barra de Guaratiba ou em Grumari depois. Se o grupo gostar da caminhada, as subidas maiores atrás da casa estão no guia da Pedra da Gávea e da Pedra Bonita.

Perguntas

Quanto tempo leva a trilha da Pedra do Telégrafo?

São cerca de 2 km em cada sentido a partir de Barra de Guaratiba. A maioria chega à pedra em 40 minutos a uma hora, e num ritmo tranquilo pode levar uma hora e meia. A trilha é considerada moderada.

A foto da Pedra do Telégrafo é real?

É uma ilusão de ótica. Há um platô logo abaixo da pedra, e com o ângulo certo da câmera ele some, então a queda parece vertical.

Quanto tempo de fila na Pedra do Telégrafo?

Em fins de semana de sol e feriados a espera pode passar de uma hora. Comece até as 8h ou vá num dia útil para evitar o pior.

Precisa pagar para subir a Pedra do Telégrafo?

Não. O Inea, instituto estadual que administra o Parque Estadual da Pedra Branca, descreve o local como público e gratuito. Algumas pessoas contratam um guia local.

Dá para visitar o Sítio Burle Marx sem agendar?

Não. As visitas ao Sítio Roberto Burle Marx, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2021, são guiadas e precisam ser agendadas com antecedência.

A Pedra do Telégrafo rende uma manhã inteira a partir da casa em São Conrado, com o motorista organizado pela Art de Vivre quando você reserva a casa direto.

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Fontes

Os fatos desta página foram conferidos nestas fontes em outubro de 2026. Horários e preços mudam: confirme antes de ir.

  1. Trilha da Pedra do Telégrafo (Mala de Aventuras, 2024)
  2. Pedra do Telégrafo (Viciada em Viajar, 2023)
  3. 01. Barra de Guaratiba x Grumari | Trilha Transcarioca
  4. Conservation Units | Trilha Transcarioca
  5. Parque Estadual da Pedra Branca (Wikipédia)
  6. Barra de Guaratiba (Wikipédia)
  7. Sítio Roberto Burle Marx (Wikipedia)
  8. Sítio Roberto Burle Marx (Wikipédia)
  9. Roberto Burle Marx (Joá Rio)
  10. Point de Grumari (official site)
  11. Point de Grumari: FAQ
  12. Pedra do Telégrafo (OpenStreetMap node)
  13. Fila, cobrança e polêmica na Pedra do Telégrafo (Diário do Rio, 15/06/2025, nota do Inea)
  14. Sítio Roberto Burle Marx (official site, visits)
  15. About the Transcarioca Trail

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Créditos das fotos: O litoral visto da Pedra do Telégrafo: morros com mata, pequenas praias e ilhas., foto PauloRicFerr (CC BY-SA 4.0); A Restinga da Marambaia vista da trilha da Pedra do Telégrafo., foto Ana Carolina do Nascimento Guimarães (CC BY-SA 3.0); A Praia de Grumari e seus morros cobertos de mata, vistos do alto., foto Diego Baravelli (CC BY-SA 4.0) Créditos das fotos →