O que você está vendo do terraço
Na maioria das tardes, asas coloridas aparecem sobre a crista atrás da casa, saem por cima da encosta e descem em círculos largos e lentos na direção da praia. Vêm da rampa da Pedra Bonita, no alto da crista entre a Pedra da Gávea e a floresta da Tijuca, e pousam na areia na ponta oeste da praia de São Conrado. Do terraço da piscina se vê a descida inteira, que leva de dez a quinze minutos.
Não é espetáculo ocasional montado para visitante. São Conrado é um dos sítios de voo livre mais conhecidos do mundo, a rampa é a mais antiga do Brasil, e em dia bom há fila de pilotos esperando para decolar. O movimento faz parte do ritmo diário do bairro como trem de subúrbio faz parte de outros lugares.
Isso também explica algo sobre o bairro. As asas precisam de ar livre sobre a encosta e de campo de pouso embaixo, uma das razões pelas quais este trecho de costa continuou baixo e verde enquanto as praias a leste se enchiam de torres.
A rampa em si
A Rampa de Voo Livre da Pedra Bonita está a cerca de 520 metros acima do nível do mar, dentro do Parque Nacional da Tijuca, e foi a primeira rampa de voo livre do Brasil. Há duas estruturas de decolagem lado a lado — uma para asa-delta, outra para parapente — além de lanchonete e banheiros para pilotos e público. O Clube São Conrado de Voo Livre, o CSCVL, opera no local.
Chega-se de São Conrado subindo a Estrada das Canoas, uma via estreita, íngreme e sinuosa que sobe a crista. São cerca de sete quilômetros até a praia de pouso, e uns dez a quinze minutos desde a casa conforme o trânsito no morro. Os operadores de voo duplo normalmente buscam e levam de volta.
Vale visitar a rampa mesmo que ninguém do grupo pretenda voar. É um mirante público gratuito dentro do parque nacional, com vista reta sobre São Conrado, a praia, o Joá e — em dia limpo — a linha longa da Barra da Tijuca ao fundo. Ver os pilotos montando e decolando a poucos metros é mais interessante do que a maioria das excursões organizadas, e não custa nada.
A caminhada curta até o mirante da Pedra Bonita começa ali perto e é a opção suave em comparação com a subida completa da Pedra da Gávea.
Como é de fato um voo duplo
Você voa com um piloto habilitado numa asa de dois lugares, então não é preciso experiência nem treinamento. O piloto cuida de tudo; sua função é correr alguns passos quando ele mandar e depois ficar quieto olhando.
A sequência é simples. Você é levado até a rampa, colocado no equipamento e no capacete, e recebe um briefing de dois minutos que é quase todo sobre a corrida de decolagem. No comando do piloto você dá três ou quatro passos rampa abaixo, a asa assume o peso quase de imediato, e o chão cai. Depois é silêncio. Asa-delta se voa de bruços e a sensação é rápida e limpa; parapente se voa sentado e a sensação é mais lenta e mais conversável.
O voo dura em geral de dez a quinze minutos da decolagem à areia, mais se o ar estiver trabalhando e o piloto subir na térmica. Passa-se sobre Mata Atlântica e sobre os condomínios da encosta, com a Pedra da Gávea de um lado e toda a costa até Ipanema e Leblon do outro. O pouso é na praia, de pé ou sentado conforme as condições, e é mais suave do que parece.
Notas práticas: sapato fechado, sem óculos ou boné soltos, e nada nas mãos. Os pilotos normalmente filmam o voo numa câmera de haste e vendem o material; combine isso antes de decolar. Há faixa de peso, então informe pesos na reserva. A maioria dos operadores não voa com criança pequena, e a idade mínima varia — pergunte ao combinar.
É uma atividade aeronáutica com risco real, por rotineira que pareça. Voe com operador habilitado, e espere que um profissional cancele em dia ruim. Piloto disposto a voar em condição imprópria não é o piloto que você quer.
Temporada, tempo e quando o voo é cancelado
Voo livre depende de direção de vento e de térmica, então é atividade de manhã e início de tarde, e depende do tempo de um jeito que passeio de barco não depende. Os operadores locais consideram setembro a dezembro o melhor trecho do ano, quando as condições são mais confiáveis. Voa-se o ano inteiro quando o ar colabora.
O verão do Rio, de dezembro a março, traz calor, térmicas fortes e tempestade de fim de tarde — voável, muitas vezes excelente cedo, e sujeito a cancelamento mais tarde. Os meses frescos de junho a agosto são mais limpos e mais calmos, com ar mais estável e menos chuva, mas com chance maior de um dia em que o vento simplesmente está errado.
A consequência prática para uma estadia: não marque voo para a última manhã. Programe no começo da semana para haver espaço de remarcar, e trate o primeiro dia adequado como o dia de ir. Grupos que deixam para a tarde final perdem com frequência, o que é pena, já que a rampa está a quinze minutos da casa.
Quando visitar o Rio trata das estações em geral; para voar especificamente, a resposta é setembro a dezembro.
Praia do Pepino e o campo de pouso
As asas pousam na ponta oeste da praia de São Conrado, no trecho conhecido como Praia do Pepino e na área gramada ao lado. Se você vai assistir em vez de voar, é ali que se fica — em tarde movimentada chega asa a cada poucos minutos, e os últimos trinta segundos de voo são a parte interessante.
Há um memorial nessa praia que vale conhecer. Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes — Pepê — foi um atleta carioca que se tornou campeão mundial de asa-delta em 1981, aos vinte e quatro anos, em Beppu, no Japão. Dez anos depois, em abril de 1991, morreu aos trinta e três competindo num torneio de voo livre em Wakayama, também no Japão, tendo terminado aquele campeonato como vice-campeão. Uma placa foi instalada na Praia do Pepino, perto da pista de pouso, em 2011, vinte anos após sua morte. Os pilotos que pousam aqui sabem exatamente quem ele foi.
Assistir da areia não custa nada, funciona mesmo quando o tempo impede os voos, e é uma das melhores formas de passar uma hora com crianças pequenas demais para voar. Mais sobre a praia.
Como arranjar a partir da casa
O concierge reserva voos duplos com pilotos habilitados e organiza o transporte até a rampa e de volta. Avise com antecedência e informe pesos, e sempre que possível ofereça duas ou três manhãs possíveis em vez de uma, para o voo poder migrar para o melhor ar em vez de ser cancelado.
Para grupos, voa-se em sequência e não todos de uma vez, então um grupo de seis é uma manhã, não uma hora. O formato usual é parte do grupo voando enquanto o resto assiste da praia com café, e todo mundo de volta na casa até o almoço.
Se ninguém quiser voar, peça para subir até a rampa de todo modo, de preferência no fim da manhã, quando a fila de decolagem está movimentada. São quinze minutos de carro por uma hora genuinamente fora do comum.
Diga quem quer voar e ofereça algumas manhãs possíveis — reservamos pilotos habilitados e o transporte até a rampa, e mudamos para o melhor dia em vez do dia fixo.


