Uma chegada no meio da tarde
Uma noite de chef na villa começa mais cedo do que os hóspedes costumam perceber. Nosso concierge organiza o cozinheiro antes de você pousar, então não há cardápio para planejar de casa nem ninguém para procurar depois que você chega. No meio da tarde, com o grupo ainda espalhado pela piscina, o chef entra pelo portão com caixas e isopores da feira daquela manhã.
Não há cardápio fechado esperando no e-mail. O que vai parar na mesa é o que estava bom nas barracas da feira naquele dia e o que o peixeiro do bairro tinha no gelo pela manhã. O chef abre tudo na bancada, avalia as frutas e o peixe, e ali mesmo se decide o jantar.
A cozinha se abre direto para o pavilhão de vidro, então nada disso acontece atrás de uma porta fechada. Dá para acompanhar o preparo da espreguiçadeira, chegar perto com uma bebida gelada, perguntar qual é o jantar e ouvir uma resposta de verdade enquanto ele ainda está sendo decidido.
A mesa sob o toldo
Quando o calor enfim cede, recuamos as paredes do pavilhão pelos três lados, e o interior da casa e o deque viram um só ambiente aberto para o ar. A mesa de madeira negra é posta para doze sob o toldo de palha trançada, arrumada sem alarde enquanto boa parte do grupo ainda está na água.
Ninguém é chamado para sentar. As pessoas vão chegando aos poucos, primeiro a bebida no terraço coberto, caipirinhas se a tarde tiver merecido. A luz cai atrás da Pedra da Gávea, a pedra fica escura e chapada contra o resto do céu, e as luzes da piscina se acendem.
Quando os primeiros pratos chegam à mesa, ela já se encheu sozinha, sem ninguém anunciar o jantar. Essa reunião lenta, mais do que qualquer prato, é o que comer na casa oferece e uma mesa reservada no Leblon não consegue dar.
O que sai da cozinha
A comida gira em torno do que o Rio planta e do que sai do mar naquela semana. Peixe grelhado com limão, uma moqueca solta de leite de coco e dendê, frutas tropicais cortadas geladas contra o calor, tudo apoiado em produtos que estavam numa barraca de feira poucas horas antes.
Se o grupo preferir comer com a mão e ficar de pé, o chef monta um churrasco no deque, trabalhando a grelha ao ar livre enquanto todo mundo fica do lado de fora com uma bebida. De um jeito ou de outro, os pratos saem quando estão prontos, não contra o relógio.
O cozinheiro fica a poucos passos durante toda a refeição, então repetir é fácil e a segunda garrafa é mais fácil ainda. Ninguém está cronometrando a mesa, e não há próxima reserva esperando o lugar vagar.
Depois do jantar, no deque
O que os hóspedes comentam na manhã seguinte quase nunca é um prato. É que a refeição inteira foi feita e depois recolhida, e nada disso caiu no colo deles. O chef cozinha, o chef arruma a cozinha, e o grupo nunca precisa levantar da mesa para cuidar de nada.
Depois levamos o café e o resto do vinho para o terraço. A piscina fica parada, o mar escuro logo abaixo do deque, e a orla curvando na direção do Leblon e de Ipanema aparece como uma linha fina de luzes à beira d'água.
A casa fica quieta então de um jeito que um restaurante nunca alcança, quase só o som do mar e da mata no morro atrás de você. As pessoas ficam no deque mais tempo do que pretendiam, o que costuma ser o sinal mais claro de que a noite fez o que tinha de fazer.
Quando quiser, reserve a villa direto com a Art de Vivre e a gente deixa o chef organizado antes de você chegar, feira da manhã incluída.

