Antes das oito
O primeiro a levantar costuma ser quem pretendia correr. O que acontece em vez disso é que ele abre as portas, nota como a água está parada, e entra.
O começo da manhã é a hora mais silenciosa da piscina e a melhor. O ar nesta encosta é mais fresco do que lá embaixo na praia, o mar está liso, e a pedra atrás da casa ainda está na sombra enquanto a água à sua frente já pegou a luz. Nada se move além dos pássaros nas árvores da borda do terraço e, nessa hora, dos micos atravessando o muro, com sorte.
O café chega ao terraço sem ninguém pedir duas vezes. É a parte do dia que as pessoas descrevem depois, e é também a parte que ninguém fotografa, porque estão dentro dela.
O plano, e o que acontece com ele
Às nove em geral surge uma proposta. Pão de Açúcar. Jardim Botânico. Um passeio ao Leblon. Alguém pesquisou o barco.
Às vezes o grupo vai, e é a decisão certa — o Rio merece ser visto e os passeios valem. Mas no terceiro dia de uma semana instala-se um padrão que já vimos mais vezes do que saberíamos contar: praia de manhã, de volta ao morro às onze, e depois ninguém sai. Não porque falte o que fazer, mas porque o terraço já respondeu à pergunta que o passeio ia responder.
A piscina fica do lado do mar da casa, recortada no terraço com o mosaico correndo até uma borda infinita, então de dentro da água a superfície se lê como contínua com o oceano abaixo. É truque de nível e não mágica, e deixa de importar como funciona depois de uns dez minutos.
Meio-dia, e o sol
O meio do dia no Rio é forte, e o terraço lida com isso como esta costa sempre lidou: há sol onde você quer sol, sombra sob o beiral do pavilhão, e a parede de vidro do living corre para trás, de modo que o interior da casa se torna a ponta sombreada do terraço.
O almoço é questão de pedir. Algo frio, algo na grelha, fruta que tem gosto de quem não viaja bem porque não viaja. Depois a parte do dia que é de fato o ponto: ninguém fazendo nada, entrando e saindo da água, um livro que avança quatro páginas por vez.
É também quando as asas-delta começam. Vêm por cima da crista atrás da casa, saem sobre a encosta e descem em direção à areia — a cada poucos minutos numa tarde boa, desde a rampa da Pedra Bonita até a praia abaixo. Os hóspedes assistem por uma semana e não se cansam. Alguns acabam voando.
Fim da tarde
Por volta das quatro a luz muda e o terraço fica no melhor que vai ficar em todo o dia. O sol se desloca para oeste pela costa, o granito atrás da casa esquenta do cinza para algo mais perto de bronze, e o mar passa de brilhante a profundo.
As crianças, se houver, estão na sexta hora de um dia de oito horas de piscina e não dão sinal de parar. Alguém nada de ponta a ponta pela primeira vez desde terça. Outro alguém decidiu que é a hora do primeiro drink, o que está correto.
Se alguém vai sair — descer à praia, subir à rampa, ir jantar no Leblon — é agora que sai, e sai limpo e sem pressa porque não passou o dia se deslocando.
E depois as luzes
O Rio não tem crepúsculo longo. A luz vai rápido, e então a costa se transforma numa linha de luzes correndo para leste, e a piscina — iluminada por dentro — passa a ser a coisa mais clara do terraço.
As pessoas nadam à noite aqui mais do que esperavam. O ar segue quente muito depois de o sol ter ido, a água fica mais quente do que o ar, e não há ninguém olhando de cima. É a coisa que os hóspedes mais dizem não ter previsto.
O jantar é na mesa comprida com as portas ainda abertas, e a piscina segue em uso em algum ponto atrás da conversa, e em algum momento alguém nota que é meia-noite. O jantar aqui tem relato próprio.
Nada disso precisa de organização. É todo o argumento a favor de uma casa com piscina que lhe pertence, em vez de um resort com uma que não pertence — e a versão prática desse argumento está no guia.
Se é essa a semana que você quer, diga as datas. O resto do plano pode continuar opcional.


